Quando o crush por personagens ou famosos ultrapassa o limite do saudável? 🧐

Gostar de personagens fictícios ou celebridades é algo comum, especialmente na adolescência, fase marcada pela busca de identidade e pertencimento. Esse tipo de admiração intensa tem até um nome na psicologia: relações parassociais. Elas acontecem quando sentimos uma conexão emocional com alguém que não faz parte da nossa vida real, seja por ser inacessível ou fictício.

Segundo o psicólogo Claudione Cavalcante de Lima, esse vínculo é criado de forma unilateral e nasce da necessidade humana de conexão. A pessoa passa a sentir uma proximidade que não existe de fato, como se conhecesse intimamente aquela figura. A exposição constante nas redes sociais e na mídia reforça essa sensação, tornando o vínculo ainda mais intenso.

A psicóloga Deborah Klajnman explica que essas relações se baseiam no processo de identificação. Ao acompanhar a trajetória de um personagem ou celebridade, projetamos neles nossos desejos, valores e conflitos. Essas figuras ocupam o lugar do “ideal”, funcionando como modelos com os quais nos comparamos e, muitas vezes, desejamos nos parecer — justamente por serem apresentadas de forma idealizada.

As relações parassociais são mais comuns na juventude, quando crianças e adolescentes buscam referências e podem se sentir solitários. Nesse contexto, a fantasia ganha força e essas conexões tendem a ser vividas com mais intensidade. O problema surge quando essa identificação passa a substituir as relações reais.

De acordo com a psiquiatra Danielle Admoni, admirar alguém não é prejudicial. O alerta aparece quando a pessoa deixa de socializar, se afasta de amigos ou passa a viver em função daquela figura, idealizando uma relação inexistente. Além disso, a comparação constante com esse “ideal” pode afetar a autoestima, gerando frustração e sensação de inadequação.

Por outro lado, essas conexões também podem ter efeitos positivos. Elas podem aliviar a solidão temporária, melhorar o humor, inspirar e até fortalecer vínculos sociais, como acontece em grupos de fãs. O equilíbrio, porém, é essencial.

Para que essas relações não se tornem prejudiciais, os especialistas destacam a importância de fortalecer vínculos da vida real, que oferecem troca, reciprocidade e apoio emocional verdadeiro. No caso de crianças e adolescentes, o diálogo e a presença dos pais são fundamentais para ajudar a desenvolver senso crítico e evitar idealizações excessivas.

Em resumo, gostar de um personagem ou famoso é natural. O cuidado deve existir quando esse sentimento começa a ocupar espaço demais e impede a construção de relações reais, saudáveis e possíveis.

Fonte: Viva Bem

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