As dificuldades do jogo amoroso para as mulheres mais velhas

Será que quando se chega em uma certa idade realmente as mulheres podem passar a sentir dificuldade na conquista de um amor? É claro que não é uma regra de fato. Existem muitas mulheres acima dos 50 anos que tem relacionamentos afetivos estáveis e satisfatórios, mas aquelas que se sentem solitárias, mal compreendidas e estão mal acompanhadas são as que instigam a psicóloga e coach Jael Klein Coaracy, pós-graduada em terapia cognitiva comportamental e atua diretamente nesse seguimento.  

“Há mulheres que ficam sozinhas e decidem que tal situação não define suas vidas, seguindo em frente. No entanto, há também as que ficam bastante deprimidas e amarguradas porque não têm parceiro, ou se submetem a relações abusivas porque não conseguem se imaginar sem alguém. É como se o valor de uma mulher fosse medido por estar acompanhada. Com o passar dos anos, a gente ganha uma quilometragem respeitável e é preciso virar essa chave”, diz 

Em seus atendimentos, já ouviu diversas variações da frase “quero um homem ao meu lado, ainda que não me satisfaça, nem me deixe feliz”. Na sua avaliação, o caminho é investir na construção da autoestima e entender que o mais importante é se sentir confortável: 

“Infelizmente, quando a mulher não está bem consigo mesma, é bastante comum que, ao conhecer alguém que lhe interessa, ache preferível criar uma personagem que se encaixe no que imagina que são os desejos do outro. É o que eu chamo de fazer um número. O problema é que isso não vai torná-la atraente. O que as pessoas procuram é uma conexão, o que não acontece com quem não é autêntica e só está preocupada em agradar”. 

Jael está morando nos Estados Unidos a nove anos, primeiro morou em Nova York e agora na Flórida. Ela analisa as diferentes culturas entre os dois países.  Apesar de as figuras do “sugar daddy” e da “sugar mommy” (respectivamente, o homem e a mulher mais velhos que dão presentes ou bancam jovens em troca de sexo) existirem, afirma que relacionamentos de casais na faixa dos 60 ou 70 anos são cada vez mais frequentes: 

“São viúvos e viúvas, divorciados e divorciadas que buscam pessoas com um repertório semelhante. Querem uma boa companhia, com quem possam viajar, se divertir e compartilhar experiências, sem exigências estéticas. O apelo da aparência não é tão forte quanto aqui. Ninguém pede desculpas pelo que é. Esse nível de exigência consigo mesma impede, inclusive, que as mulheres aproveitem o sexo, porque estão mais preocupadas em dar prazer aos parceiros. Se ela está autoconsciente demais, não vai chegar ao orgasmo”. 

Na da psicóloga e coach, no Brasil há uma assimetria que valoriza excessivamente atributos físicos, que não são capazes de alimentar a convivência. Não critica procedimentos estéticos, mas ressalta: “não são dobrinhas de gordura ou celulite que definem uma relação”. Para a psicóloga, ninguém deveria ter preconceito contra sites de relacionamento, que abrem um leque maior de possibilidades de encontros. Entretanto, enfatiza que o principal é o convívio de igual para igual: “não podemos perder tempo com quem não nos dá valor”. 

Fonte: G1 

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